Tricô e tecnologia juntos

November 1, 2011

Modesta foto que tirei na loja Rough Trade

Estive a sorte de poder estar em em Londres há duas semanas (out/2011) e me emocionei ao ver que materializado meu desejo de loja: originalmente uma loja de CD’s e vinis, a Rough Trade estava oferecendo produtos e workshops de DIY (do-it-yourself, ou faça você mesmo).

O cantinho do tricô. Mantas meio bizarras para iniciantes.

Numa das paredes da loja, era possível encontrar e comprar produtos “faça você mesmo”: um cantinho dedicado ao tricô, da “Prick your Finger” (só com coisas divertidas, vide a foto do iPhone de tricô), outro de kits caseiros de itens de tecnologia, da “Technology will save us” (foto abaixo).

Isso tudo no meio de uma loja de CD’s bem moderna, no meio de Brik Lane, um bairro descoladinho de Londres.

A loja é assim:

Só pra não deixar passar a oportunidade de falar mais da cultura DIY: se você leu esse post até aqui, não deixe de conferir esse site, se é que já não conhece: Instructables (em inglês). Cheio de coisas para fazer com as próprias mãos. Um ótimo jeito de se ocupar com algo que não seja uma tela como essa.


micro-tricô

October 9, 2011

Na onda do “vamos fazer ao invés de falar que queremos fazer”, tenho usado a estratégia de tricotar peças pequenas. Golas são a peça número 1. Coletes, a número 2. Estes ombros vão virar a peça número 3 no quesito “fiz, tá pronto!”.

Escolher uma peça menor, principalmente pra quem está começando ou tem pouco tempo (critérios que englobam 99% das pessoas), é um ato inteligente.

Ver o resultado rapidamente, ouvir os elogios ao redor, não ficar com o tricô estagnado, só estimulam a continuar, e fazer o próximo, e o próximo.

Por isso achei legais estas peças da Good Night, Day.

 

Tudo muito simples e fácil. Imaginem um look com as peças e o mesmo look sem as peças. Muda completamente. O poder de transformação de uma peça de tricô!

Acabei de verificar que entregam no Brasil. Dá pra comprar online. Luxo puro!


“Novas Vovós”, matéria que saiu na Revista da Folha, de SP

August 22, 2011

A matéria está tão legal que vou apenas reproduzi-la aqui.

Saem os cabelos brancos, a cadeira de balanço, as lãs em cores pastéis. Entram os blogs, os fios metálicos e as moças entre 25 e 40 anos com cabelos e roupas da moda. São essas as diferenças que permitem dizer que há, na cidade, uma nova geração de tricoteiras, que nos últimos anos despertou a atenção de fabricantes e vendedores.

Intríseca à imagem clássica da avó, a atividade tem atraído jovens mulheres por três principais motivos. Umas defendem o resgate de trabalhos manuais em geral, o que também inclui cozinhar e jardinar –atos considerados terapêuticos. Outras encontram motivação na moda. Desfilar por aí com peças exclusivas, feitas sob medida, é uma compensação que, dizem, vale as horas dedicadas às agulhas.

E há as que encaram o tricotar como uma transgressão contra o consumismo desenfreado, o que lembra o movimento DIY (“do it yourself”, ou “faça você mesmo”), encampado pelos punks nos anos 1970 e 80. A publicitária Andrea Onishi, 36, faz parte do primeiro grupo. Com vontade desde criança de aprender a tricotar, ela foi atrás de livros, tutoriais (passo a passo) e vídeos na internet. Aprendeu tanto que virou referência.

Há seis anos, Andrea montou o blog Superziper, voltado para manualidades, com destaque para o tricô. Atualmente, a página é acessada por cerca de 4.000 pessoas todos os dias. A internet, para essa nova turma de tricoteiras, é um acessório tão fundamental quanto agulhas e lãs.

SÓ EU TENHO

Para que suas bonecas tivessem roupas exclusivas, Cristiane Bertulucci, 27, foi tricotar com a avó paterna quando tinha nove anos. Hoje, é estilista e professora. “O tricô, para mim, tem a ver com aversão ao massificado e com buscar algo diferente para vestir e que tenha algum valor sentimental”, diz ela, que dá aulas particulares, para grupos e até para crianças.

Cristiane também é uma das fundadoras do coletivo Tricotarde, que reúne jovens apaixonadas por novelos e promove intervenções urbanas, como envolver árvores com peças feitas de lã. “Vestimos uma das árvores do parque Trianon [na av. Paulista], mas não durou muito. Logo mandaram tirar nosso trabalho de lá.”

Espalhar o tricô pela cidade é uma das diferenças em relação às tricoteiras tradicionais. A nova geração também usa cores e pontos distintos. No grupo de 15 senhoras liderado pela professora Sonia Biondi, 72, os tons pastéis são os preferidos. As veteranas, que se reúnem semanalmente, gostam de “rosinha”, “verdinho”, “azulzinho”, tons que combinam com roupas para bebês, as peças mais confeccionadas por elas. Também fazem sucesso pontos mais elaborados, como tranças, e flores de crochê, para enfeitar boleros e cachecóis.

Entre as mais novas, as cores são mais escuras e quentes e as lãs, mais grossas. “As tricoteiras modernas preferem pontos largos porque ficam prontos mais rapidamente. Em uma tarde você consegue começar e terminar um trabalho”, diz Cristiane.

Aqui, um vídeo lindo feito pela Folha que conta toda a história.

NOVOS RUMOS

O mercado de lãs já percebeu que algo está mudando. Fios mais grossos, com efeitos especiais e cores da estação estrearam nas prateleiras nos últimos invernos. “Elas [as mais jovens] começam a influenciar os hábitos das veteranas”, explica Juliana Bueno, gestora de marketing da Pingouim, uma das maiores fabricantes de lãs do país. “Uma das nossas linhas mais tradicionais, a Flash, acaba de ganhar uma nova tabela de cores por conta dessa mudança de comportamento.”

Outra marca, a Aslan Trends, também está de olho. Segundo Marina Pontieri, do time de estilo da empresa, esse novo perfil ganha força e tem a internet como principal fonte de divulgação da mania entre as modernas. Para agradá-las, a marca lançou neste ano uma lã com brilho metálico. Também neste inverno, a Vila Madalena, na zona oeste, ganhou seu primeiro café dedicado ao tricô. Na Novelaria Knit, inspirada em espaços europeus e americanos, onde o tricô é febre entre os jovens há alguns anos, é possível beber vinho, tomar sopas e comprar lãs importadas da Argentina.

“Há um ano, eu e minha sócia idealizamos um lugar de convivência, de troca, parecido com alguns que visitamos na Califórnia”, conta a empresária Lica Isak. “A ideia é ir além do armarinho do bairro e oferecer um programa mais completo.” De segunda a sábado, são ministrados ali quatro tipos de aula em 18 horários diferentes. Além de trabalhar as mãos, o tricô também ocupa a mente. Foi assim para a designer gráfica Luciane Kras. Quando se mudou para Nova York, há cinco anos, por causa do trabalho do marido, ela decidiu que era hora de buscar mais qualidade de vida. Resolveu, então, frequentar as aulas de tricô do Fashion Institute of Technology.

“Vinha de uma rotina insana de trabalho e esse período de pausa foi importante para eu ver o que realmente queria”, diz ela, que fez o curso durante três meses. De volta a São Paulo, o tricô virou vício. Ela carrega o kit para todos os lugares e pratica enquanto conversa com os amigos. Já produziu casacos, vestidos e golas gigantes para o próprio guarda-roupa e sempre recebe encomenda de amigas. Costuma trocar truques de pontos usando fotos feitas com o iPhone.

Outro benefício mental citado pelas jovens tricoteiras é aprender a lidar com as imperfeições. “Você percebe o erro em um ponto, mas sabe que sempre pode desmanchar e começar tudo de novo. Ou, então, ignorar e aceitar que aquilo faz parte do trabalho”, diz a produtora cultural Melina Valente, 37. “Ter um projeto de tricô ou crochê nas mãos significa estar produzindo algo. Isso é muito poderoso”, afirma ela, que frequenta os encontros do grupo Tricotarde, que ocorrem um sábado por mês no espaço Cartel 011, em Pinheiros, na zona oeste, cuja programação mistura arte, música e moda.

Tricotar, bordar ou fazer crochê é também uma maneira de manter vivo um conhecimento que corre o risco de se perder no tempo. Foi com essa intenção que as amigas Flávia Lhacer, 27, e Vanessa Rozan, 31, criaram o Clube do Útero. Ainda restrito a uma página na internet (www.clubedoutero.blog
spot.com), o movimento quer oferecer workshops de trabalhos manuais. Suas fundadoras planejam a abertura de um espaço para os encontros, provavelmente no Baixo Augusta.

Para aumentar a prática, Flávia, que é figurinista, passa uma tarde por semana na casa da avó, Claudia, 84, bordando. “Foi ela que me ensinou os primeiros pontos.” Vanessa, maquiadora, é neta de costureira, mas só se interessou pelo bordado depois de conhecer o livro “Subversive Cross Stitch” (ponto de cruz subversivo). “Achei o máximo ver as receitas com frases e figuras muito diferentes do ponto de cruz tradicional”, lembra ela, que se reúne com as amigas e, entre uma taça de vinho e outra, troca dicas.

Como nas jovens tricoteiras o contraste visual entre moderno e antigo é evidente, não raro ele atrai chacotas. Andrea, do blog Superziper, estava tricotando com uma amiga no calçadão de Santos quando ouviu de um ambulante: “Estão treinando para serem avós?”. A professora Cristiane já escutou: “Nossa! Tão bonita e tricotando…”. Pelo jeito, vai ser difícil combinar tricô e modernidade. E talvez seja exatamente essa a ideia.

SERVIÇO – ONDE COMPRAR

Novelaria Knit Café
R. Mourato Coelho, 678, Vila Madalena, zona oeste, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3729-7188.

Empório das Lãs
R. João Alvares Soares, 1.520, Campo Belo, zona sul, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/5531-3086.

Millefios
R. da Graça, 221/223, Bom Retiro, centro, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/113359-3322.

Companhia do Tricô
R. Pamplona, 1.222, Jardins, zona oeste, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3887-5614.


Evoluções

June 8, 2011

Graças à Cristiane Bertoluci, minha amiga e estilista de tricô, eu que sempre fui a defensora do tricô feito a mão, também estou curtindo muito o tricô à máquina. A Cris acabou de fazer um curso em Londres onde se especializou nas técnicas das agulhas que se movem mecanicamente (= máquina).

Vejam ela e suas divinas mãos (e que linda), nesse vídeo.

Já que o assunto é tricô de máquina, vejam que demais esse projeto coloridíssimo de uma artista que criou uma coleção totalmente knitted.

Mais no site da artista. Dá pra comprar as peças! Ah, uma bolsinha daquelas…

Vi que alguns blog brasileiros já fizeram posts bacanas sobre o assunto:

Modismo

Gloss


Tricotarde no Espaço Cartel011

June 1, 2011


Tricotarde @ Cartel 011

May 2, 2011


Cobrindo Buracos de Rua

April 27, 2011

O projeto é de 2009, mas vale a pena falar: a artista Juliana Santacruz Herrera cobriu alguns buracos de ruas francesas com tricôs. Acredito que, além de coloridas, as calçadas também ficaram mais macias :)

Segue o vídeo que a artista fez sobre as instalações.


Novo encontro para tricotar – no Cartel011, em SP

April 13, 2011

Um convite incrível feito pela Ana. Sábado 16/04/2011. No Cartel011, um espaço multifuncional muito bacana que vale a pena conhecer.


Nikki Gabriel – Constructions

November 19, 2010

A marca Nikki Gabriel, da Austrália, criou um conceito divertido chamado Constructions: somando alguns blocos geométricos de tricô, é possível ir do simples cachecol ao casaco.

 

Constructions in Alpaca

Além disso, o blog da marca tem muitas informações e as coleçoes da marca são lindas.


Hospital Pequeno Príncipe

October 29, 2010

Segue um video que a Ana Tokutake, que participa dos encontrinhos de tricô, fez a direção de arte, e eu, Cristiane, fiz o figurino do passarinho e do príncipe.


:)


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